sábado, 1 de maio de 2010

Na mídia!

Sonhos roubados um filme de Sandra Werneck
com Nanda Costa, Amanda Diniz, Kika Farias, Marieta Severo,
Daniel Dantas, Nelson Xavier, Angelo Antonio, Mv Bill, Lorena da Silva,
Guilherme Duarte, Silvio Guindane e Zezeh Barbosa


“Sandra Werneck extraiu pedras preciosas de seu mergulho ficcional pela
realidade das comunidades cariocas reféns da violência e da exclusão.”
Rodrigo Fonseca, O Globo

“As atrizes encarnam à perfeição a leveza inconseqüente da juventude,
o peso dos sonhos que elas vêem escorrer por entre os dedos.”
Ana Paula Sousa, Folha de S. Paulo

“O resultado é uma reunião de acertos, tanto no que se refere à
autenticidade buscada através da fotografia, direção de arte e figurinos,
quanto ao rendimento do elenco.”
Daniel Schenker, Jornal do Brasil

“Uma das melhores produções do cinema brasileiro nos últimos anos.
O filme é de uma delicadeza incrível, uma lição de esperança, exatamente
aonde não parece mais haver nenhuma esperança.”
Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho (Ig)


Trailer, entrevistas e making of do filme no site
www.sonhosroubados.com.br


sexta-feira, 30 de abril de 2010

Contardo Calligaris

Folha de São Paulo, Ilustrada, publicado na quinta-feira, 29 de abril de 2010

SONHOS ROUBADOS" , de Sandra Werneck, entrou em cartaz na sexta-feira passada. Alguns críticos trataram do filme junto com o de Laís Bodanzky, "As Melhores Coisas do Mundo" (sobre o qual escrevi na minha última coluna). A razão desses comentários conjugados é que os protagonistas do filme de Bodanzky são adolescentes de classe média, enquanto o filme de Werneck conta a história de três meninas da periferia. Portanto, juntando as duas películas, teríamos um retrato da adolescência brasileira ou, no mínimo, de seus dois extremos. É nesse estado de espírito sociológico que fui assistir a "Sonhos Roubados" e que li o livro de Eliane Trindade, "As Meninas da Esquina" (de 2005, relançado agora pela Record), que reúne os diários de seis jovens mulheres, três das quais, com condensações e adaptações, são as protagonistas do filme de Werneck.

Mal precisei esperar até a metade do filme para que meu estado de espírito mudasse (e o mesmo aconteceu ao avançar na leitura do livro): rapidamente, eu me apaixonei pelas protagonistas e me esqueci da periferia, que é o pano de fundo da história. Por quê? Simples: é verdade que as três jovens são vítimas da desigualdade social brasileira, mas é também verdade que elas não têm vocação alguma para o papel de vítima. Ao contrário, elas são as admiráveis heroínas de suas histórias.
Jéssica, Daiane e Sabrina vivem de expedientes, entre fugas da escola, pequenos empregos, famílias patéticas e prostituição ocasional. Nessas condições francamente adversas, elas não deixam de inventar a vida.
Jéssica e Sabrina não desistem de ser mães. Daiane não desiste de encontrar uma profissão e uma família -se não um pai, pelo menos uma mãe. As três não desistem de sair à noite à procura de um amor que nunca dá certo, de um pouco de aventura e de umas risadas entre amigas.

De repente, o título do filme, "Sonhos Roubados", parece injusto para com as protagonistas, pois elas, justamente, lutam para que seus sonhos não sejam roubados.
Disse que Jéssica, Sabrina e Daiane enfrentam condições adversas. A condição mais adversa de todas são os homens, que são insignificantes ou funestos. A galeria é devastadora.

Há o pai de Daiane, que morre de medo de ser pai. Há o avô de Jéssica, simpático por ser beberrão e inepto.
Há o ex-marido de Jéssica, fantoche nas mãos de sua própria mãe. Há o tio de Daiane, que abusa da sobrinha-enteada. E há a fileira dos violentos e boçais, encabeçada pelo namorado de Sabrina.

Com esses homens, Jéssica, Sabrina e Daiane não podem contar. Eles são sombras, incapazes de assumir um amor (seja ele paterno ou conjugal), uma amizade e, na verdade, qualquer compromisso: são todos nanicos morais. A única exceção é o presidiário encarnado por MV Bill -o que me levou a pensar (seriamente) que talvez homem só melhore mesmo na cadeia. Nas periferias e nas favelas, os núcleos familiares estáveis se organizam, em geral, ao redor de mulheres.
A explicação recebida por esse fenômeno diz que um lugar social desfavorecido, subalterno ou marginal corrói a "virilidade" dos homens e, portanto, torna-os ou nulos ou violentos (como se eles precisassem compensar na marra a virilidade perdida).

Mas será que essa debandada masculina é apenas um fenômeno de nossas periferias? Ou será que, periferia ou não, os homens de hoje (para usar uma expressão da Carol do filme de Laís Bodanzky) são mesmo um pouco (ou muito) "cuzões"?
Não sei responder, mas o fato é que o filme de Sandra Werneck não me deixou nem um pouco aflito. Ao contrário, saí do cinema alegre, pensando: é bem possível que os homens estejam piorando, mas, por sorte, as mulheres estão cada vez melhor. Como assim?

Nas primeiras décadas depois dos anos 1960, parecia que as mulheres, para afirmar sua independência e conquistar sua cidadania, teriam que renunciar a ser "mulher", pois, por exemplo, a maternidade e o próprio desejo sexual eram considerados como caminhos de submissão ao homem e ao patriarcado.

Pois bem, as meninas de "Sonhos Roubados" não renunciam ao sexo nem à maternidade; elas podem até se servir de seus charmes para arredondar o fim de mês ou o fim de semana. Mas não por isso elas dependem dos homens. Talvez seja porque não há homens de quem depender. Talvez seja porque elas são as novas mulheres -mulheres sem a culpa de serem "mulher".

O FILME SONHOS ROUBADOS CONTINUA NOS CINEMAS, NÃO DEIXE DE VER.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

SONHOS ROUBADOS GANHA DOIS PRÊMIOS NO FESTIVAL DO RIO 2009

O novo longa-metragem de Sandra Werneck, Sonhos Roubados saiu da cerimonia de encerramento do Festival do Rio ontem com duas estatuetas do "Redentor", o troféu do Festival do Rio.

O filme ganhou:

MELHOR FILME PELO JURI POPULAR
MELHOR ATRIZ para NANDA COSTA

Veja trechinhos do filme em:

http://www.youtube.com/watch?v=aggtCWBtHsE&feature=channel_page



terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sonhos Roubados no Festival do Rio 2009

Mostra Première Brasil em competição, longa ficção


Quarta, 30/09, Odeon Petrobras, 21h45 OD030
Quinta, 01/10, Odeon Petrobras, 13h00 OD031
Sexta, 02/10,
Est Vivo Gávea 3, 15h40 GV337
Sexta, 02/10, Est Vivo Gávea 3, 21h00 GV340

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

video

Entrevistas com as 3 meninas


Nanda Costa [Jessica]

Sonhos roubados não é o primeiro trabalho de Nanda Costa nas telonas. A atriz já atuou, por exemplo, em Bezerra de Menezes – O médico dos pobres, Carmo e Sexo com amor. Na televisão, Nanda participou de produções como Ó pai ó, Por toda minha vida – Dolores Duran e Cobras e lagartos. Atualmente, ela está no elenco de Viver a vida, próxima novela das oito da TV Globo.

Como foi o convite para a personagem?

Eu tinha acabado de ir ao ar com o especial Por toda minha vida – Dolores Duran, na TV Globo. Sandra tinha visto o programa no qual interpretei a vida da cantora e me convidou para um teste. Foram várias etapas, várias meninas até o convite.

Por quantos testes você precisou passar para ser selecionada e como eles foram?

Para o primeiro teste havia dezenas de meninas para três personagens. Tínhamos uma cena em que as três personagens interagiam e uma segunda em que Jéssica discutia com a ex-sogra. A primeira cena, com as meninas, era uma espécie de rodízio e testava-se a química entre cada trio. A cada etapa uma nova eliminação. Até ficarem duas atrizes para cada papel, dando início a uma preparação com a Camila Amado sem saber ao certo quem faria de fato as personagens. Um teste a mais, e a definição!

Como foi a preparação para viver a Jéssica?

Nós primeiramente trabalhamos o texto com a Camila Amado, depois passamos a trabalhar com os irmãos Rogério e Ricardo Blat. A gente se encontrava quase todos os dias para trabalhar as cenas do roteiro, fazíamos uma espécie de levantamentos de possibilidades. Pensávamos de que maneira podíamos passar o que a cena pedia e as possibilidades e maneiras de fazer essa mesma cena com intenções variadas. Foi uma diversão pra mim, e um grande presente poder trabalhar com profissionais que admiro, e confio.

Além desse apoio técnico, visitei algumas favelas como a Cidade de Deus, as favelas de Ramos, Curicica e Madureira. Frequentei a "Cufa" da Cidade de Deus e de Madureira. Procurei me aproximar cada vez mais da realidade de cada morador da comunidade , não quis me apresentar como atriz, e sim como humana. Tinha consciência da responsabilidade que estava em minhas mãos e busquei me aproximar daquele universo para não ter uma compreensão distanciada da realidade das garotas de programa. Não queria fazer, queria sentir. Isso fez com que eu chegasse à dor da personagem, sem precisar viver o que ela viveu.

Você chegou a visitar favelas antes das filmagens? O que você aprendeu com o mundo destas meninas?

Uma coisa é você ouvir falar sobre as coisas que acontecem dentro das comunidades, sobre a vida de garotas de programas, sobre o que “rola” de fato nos baile funks, outra coisa é você encarar esse universo de perto. Abri o coração para dar vida a uma jovem que luta para sustentar sua família, sem ter ao certo consciência do que é legal ou ilegal. E para ser sincera, apesar do medo do desconhecido, me diverti muito, e percebi que minha realidade não é tão distante das meninas como imaginei, apenas diferente!

Sonhos roubados é um filme de esperança. Ou de realidade?

E uma coisa sobrevive sem a outra? Pra mim, uma realidade sem esperança é a morte!

Como foi atuar ao lado de Kika Farias e Amanda Diniz, duas jovens atrizes iniciantes?

Por mais que eu tenha uma experiência maior do que as meninas em cinema, é sempre um desafio um novo trabalho, uma equipe nova, e descobrir uma relação entre os personagens. Somos jovens e a vontade de concretizar um trabalho, nos estimula a fazer o melhor que podemos. Aprendi muito com cada uma delas.

Nelson Xavier vive seu avô no filme. Como foi a experiência de contracenar com ele?

É engraçado chamar de avô uma pessoa que cresci vendo na TV. Admiro muito o trabalho do Nelson, ele passa uma tranquilidade muito grande. É um ator generoso, às vezes era difícil dar vazão à energia muitas vezes explosiva da Jéssica, com toda aquela serenidade que Nelson trazia ao avô. Dava até “peninha” a forma como Jéssica o tratava.


Amanda Diniz [Daiane]

Amanda Diniz fez, entre outros trabalhos, a peça O teatro das virtudes, dirigida por Sura Berditchevsky e que ficou sete meses em cartaz no Centro Cultural Telemar, Rio de Janeiro. Na televisão, o principal trabalho da atriz foi a personagem Narizinho, no Sítio do Pica-Pau Amarelo, na TV Globo.

No filme você contracenou ao lado de atores com Marieta Severo e Daniel Dantas. Como foi esta experiência?

Foi uma experiência muito boa contracenar com ótimos atores como eles e que estavam dispostos a me ajudar. Tanto a Marieta (Severo) quanto o Daniel (Dantas) me receberam de uma maneira muito carinhosa. Foi muito bom.

O que Sonhos roubados representa na sua carreira?

Este longa representa uma superevolução, eu amadureci muito com o filme. Com certeza Sonhos roubados é um marco na minha vida.

Como foi a preparação para fazer este personagem? Você chegou a morar em uma favela carioca para entender este mundo, não?

Fizemos preparação com Camila Amado, Ricardo e Rogério Blat. Eles me ensinaram muito, sou muito grata a eles.Também passei seis meses no morro do Vidigal, conhecei meninas que faziam programa, conversei com elas e fui descobrindo coisas que eu ainda não sabia e que também me ajudaram muito.

O que você pôde aprender com a história de Daiane?

Eu aprendi que quando temos um problema, seja ele qual for, temos que enfrentá-lo e não fingir que ele não existe.

O seu personagem é alvo de pedofilia. Como você fez para entender este universo, quais referências você buscou?

A única forma de entender é vivendo, coloquei-me no lugar do personagem, tentava sentir como se realmente fosse eu. Saber que realmente existe este tipo de realidade me fez ter forças para trabalhar ainda melhor meu personagem. A parte boa era saber que eu poderia mostrar a forma de solucionar uma coisa tão ruim, mas que infelizmente acontece, que é a pedofilia.

Sonhos roubados é um filme de esperança. Ou de realidade?

Eu acho que é um pouco dos dois. A realidade é o que acontece no filme inteiro. A esperança é o fato de as meninas serem tão fortes e terem tantos problemas, mas mesmo assim continuarem lutando para viver e com esperança que todo aquele sofrimento um dia vai acabar.


Kika Farias [Sabrina]

Kika Farias iniciou a carreira de atriz em 2003. Seus principais trabalhos são Maria Minhoca e o rapto das cebolinhas, da Cia. Máscaras de Teatro, de Sebastião Simão Filho; O cientista, ópera de Eduardo Álvares; Cruzamentos urbanos, mini-série de Pablo Pólo; Um dia azul, clipe da Banda Volver, de Léo Rodrigues; Uma flor, curta- metragem de Érica Rocha e Gilson Jr., Chico Xavier, filme de Daniel Filho; Califa da rua do Sabão, peça de Sidney Cruz, e atualmente realiza apresentações de Lendas e fábulas dos bichos de nossa América, uma contação de histórias. Kika cursa também a Escola de Teatro Martins Pena.

Você nasceu no Recife. A vida das meninas de Sonhos roubados é uma história carioca ou pode ser vista em outros locais do Brasil?

As histórias dessas meninas não se limitam apenas na região dos morros e periferias do Rio, elas estão espalhadas por vários cantos desse Brasil e do mundo. Há algum tempo venho acompanhando um pouco mais de perto essa realidade. Fui a casas de abrigos em Recife que recebem as crianças violentadas sexualmente pelos pais ou mesmo pela exploração sexual. Fui apresentada ao livro As boas mulheres da China que me fez chorar do início ao fim e antes de filmar li Meninas da esquina, de Eliane Trindade, livro que a história do filme se baseia.

Como foi a preparação para viver Sabrina e como foi o convite para viver este personagem?

Foi um desafio dar vida para a Sabrina pois, desde o início dos testes, eu estava vivendo uma construção da Jéssica, mas foi um prazer poder desapegar ao que tinha criado e dar vida a um outro ser, com outra história.Tivemos preparação com a Camila Amado a partir das leituras do roteiro e criação da personagem e sua história. Depois demos corpo e alma para as personagens e cenas junto com Ricardo e Rogério Blat. Ensaiamos com os outros atores, fizemos levantamento das possibilidades das cenas. Fazíamos o filme quase tarde. E nos primeiros dias de filmagem tivemos o Ricardo e o Rogério por perto pra nos dar segurança. Foi essencial viver esse processo, abrir o coração para descobrir e viver a Sabrina.

O que você pode aprender com a história de Sabrina?

A Sabrina é uma sonhadora e quem não é? Ela sonha com uma família e uma casa, coisas que não teve. Sonha com marido e filhos para construir essa família e, por isso, se joga de cabeça na primeira oportunidade, mas sem noção das consequências. É engraçado como temos um pouco dessas personagens e eles têm um pouco da gente. A gente pode aprender o que quiser com as experiências dela, podemos ir longe e ter várias reflexões.

Por quantos testes você precisou passar para ser selecionada e como eles foram?

Eu não sei ao certo quantos testes fiz para filme. No início fiz vários testes para Jéssica até que num certo momento a Sandra me propôs experimentar a Sabrina. Foi um prazer experimentar as duas nos testes. Elas têm uma energia muito diferente uma da outra.

Uma parte dos testes foi com a Mariana Kaufman (assistente de Sandra Werneck) que dirigiu junto com a Maya Da-Rin (cineasta e filha de Sandra Werneck). Tivemos uma conversa também com a Sandra e depois passamos por um processo com a Camila Amado. Ela, junto com a Sandra, definiu o elenco a partir dos encontros que tínhamos em sua casa a partir de muitas leituras, ensaios e bebendo muito mate. Muitas meninas fizeram os testes e as leituras junto com Camila, ia aos poucos, definindo o trio.

O filme tem direção de Sandra Werneck e fotografia de Walter Carvalho, dois dos mais importantes profissionais do cinema nacional. Como foi a experiência com eles no set de filmagem?

A Sandra foi incrível, me deixou bem livre para atuar, deu o direcionamento para o que precisava da cena e fui seguindo. O Waltinho teve uma paciência de Jó. Eu não tinha noção nenhuma de marcas, luz, câmera. Ele me ajudou muito. A equipe toda foi muito parceira.

Sonhos roubados é um filme de esperança ou de realidade?

É um filme de realidade e de esperança. Demos a cara, o corpo e a voz a essas “meninas da esquina” para serem escutadas e vistas no filme da Sandra. Elas sentem faltam de muito mais do que apenas uma roupa e um xampu, como é descrito no livro. Elas estão carentes, elas não são carentes. Estão carentes de um governo e de políticas públicas que pensem em como lidar, como resolver esse problema. Essa é a única esperança, que precisamos mudar essa realidade.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sonhos roubados no Festival do Rio 2009

Mostra Première Brasil em competição, longa ficção

Quarta, 30/09, Odeon Petrobras, 21h45 OD030
Quinta, 01/10, Odeon Petrobras, 13h00 OD031
Sexta, 02/10,
Est Vivo Gávea 3, 15h40 GV337
Sexta, 02/10, Est Vivo Gávea 3, 21h00 GV340