
Nanda Costa [Jessica]
Sonhos roubados não é o primeiro trabalho de Nanda Costa nas telonas. A atriz já atuou, por exemplo, em Bezerra de Menezes – O médico dos pobres, Carmo e Sexo com amor. Na televisão, Nanda participou de produções como Ó pai ó, Por toda minha vida – Dolores Duran e Cobras e lagartos. Atualmente, ela está no elenco de Viver a vida, próxima novela das oito da TV Globo.
Como foi o convite para a personagem?
Eu tinha acabado de ir ao ar com o especial Por toda minha vida – Dolores Duran, na TV Globo. Sandra tinha visto o programa no qual interpretei a vida da cantora e me convidou para um teste. Foram várias etapas, várias meninas até o convite.
Por quantos testes você precisou passar para ser selecionada e como eles foram?
Para o primeiro teste havia dezenas de meninas para três personagens. Tínhamos uma cena em que as três personagens interagiam e uma segunda em que Jéssica discutia com a ex-sogra. A primeira cena, com as meninas, era uma espécie de rodízio e testava-se a química entre cada trio. A cada etapa uma nova eliminação. Até ficarem duas atrizes para cada papel, dando início a uma preparação com a Camila Amado sem saber ao certo quem faria de fato as personagens. Um teste a mais, e a definição!
Como foi a preparação para viver a Jéssica?
Nós primeiramente trabalhamos o texto com a Camila Amado, depois passamos a trabalhar com os irmãos Rogério e Ricardo Blat. A gente se encontrava quase todos os dias para trabalhar as cenas do roteiro, fazíamos uma espécie de levantamentos de possibilidades. Pensávamos de que maneira podíamos passar o que a cena pedia e as possibilidades e maneiras de fazer essa mesma cena com intenções variadas. Foi uma diversão pra mim, e um grande presente poder trabalhar com profissionais que admiro, e confio.
Além desse apoio técnico, visitei algumas favelas como a Cidade de Deus, as favelas de Ramos, Curicica e Madureira. Frequentei a "Cufa" da Cidade de Deus e de Madureira. Procurei me aproximar cada vez mais da realidade de cada morador da comunidade , não quis me apresentar como atriz, e sim como humana. Tinha consciência da responsabilidade que estava em minhas mãos e busquei me aproximar daquele universo para não ter uma compreensão distanciada da realidade das garotas de programa. Não queria fazer, queria sentir. Isso fez com que eu chegasse à dor da personagem, sem precisar viver o que ela viveu.
Você chegou a visitar favelas antes das filmagens? O que você aprendeu com o mundo destas meninas?
Uma coisa é você ouvir falar sobre as coisas que acontecem dentro das comunidades, sobre a vida de garotas de programas, sobre o que “rola” de fato nos baile funks, outra coisa é você encarar esse universo de perto. Abri o coração para dar vida a uma jovem que luta para sustentar sua família, sem ter ao certo consciência do que é legal ou ilegal. E para ser sincera, apesar do medo do desconhecido, me diverti muito, e percebi que minha realidade não é tão distante das meninas como imaginei, apenas diferente!
Sonhos roubados é um filme de esperança. Ou de realidade?
E uma coisa sobrevive sem a outra? Pra mim, uma realidade sem esperança é a morte!
Como foi atuar ao lado de Kika Farias e Amanda Diniz, duas jovens atrizes iniciantes?
Por mais que eu tenha uma experiência maior do que as meninas em cinema, é sempre um desafio um novo trabalho, uma equipe nova, e descobrir uma relação entre os personagens. Somos jovens e a vontade de concretizar um trabalho, nos estimula a fazer o melhor que podemos. Aprendi muito com cada uma delas.
Nelson Xavier vive seu avô no filme. Como foi a experiência de contracenar com ele?
É engraçado chamar de avô uma pessoa que cresci vendo na TV. Admiro muito o trabalho do Nelson, ele passa uma tranquilidade muito grande. É um ator generoso, às vezes era difícil dar vazão à energia muitas vezes explosiva da Jéssica, com toda aquela serenidade que Nelson trazia ao avô. Dava até “peninha” a forma como Jéssica o tratava.

Amanda Diniz [Daiane]
Amanda Diniz fez, entre outros trabalhos, a peça O teatro das virtudes, dirigida por Sura Berditchevsky e que ficou sete meses em cartaz no Centro Cultural Telemar, Rio de Janeiro. Na televisão, o principal trabalho da atriz foi a personagem Narizinho, no Sítio do Pica-Pau Amarelo, na TV Globo.
No filme você contracenou ao lado de atores com Marieta Severo e Daniel Dantas. Como foi esta experiência?
Foi uma experiência muito boa contracenar com ótimos atores como eles e que estavam dispostos a me ajudar. Tanto a Marieta (Severo) quanto o Daniel (Dantas) me receberam de uma maneira muito carinhosa. Foi muito bom.
O que Sonhos roubados representa na sua carreira?
Este longa representa uma superevolução, eu amadureci muito com o filme. Com certeza Sonhos roubados é um marco na minha vida.
Como foi a preparação para fazer este personagem? Você chegou a morar em uma favela carioca para entender este mundo, não?
Fizemos preparação com Camila Amado, Ricardo e Rogério Blat. Eles me ensinaram muito, sou muito grata a eles.Também passei seis meses no morro do Vidigal, conhecei meninas que faziam programa, conversei com elas e fui descobrindo coisas que eu ainda não sabia e que também me ajudaram muito.
O que você pôde aprender com a história de Daiane?
Eu aprendi que quando temos um problema, seja ele qual for, temos que enfrentá-lo e não fingir que ele não existe.
O seu personagem é alvo de pedofilia. Como você fez para entender este universo, quais referências você buscou?
A única forma de entender é vivendo, coloquei-me no lugar do personagem, tentava sentir como se realmente fosse eu. Saber que realmente existe este tipo de realidade me fez ter forças para trabalhar ainda melhor meu personagem. A parte boa era saber que eu poderia mostrar a forma de solucionar uma coisa tão ruim, mas que infelizmente acontece, que é a pedofilia.
Sonhos roubados é um filme de esperança. Ou de realidade?
Eu acho que é um pouco dos dois. A realidade é o que acontece no filme inteiro. A esperança é o fato de as meninas serem tão fortes e terem tantos problemas, mas mesmo assim continuarem lutando para viver e com esperança que todo aquele sofrimento um dia vai acabar.
Kika Farias [Sabrina]
Kika Farias iniciou a carreira de atriz em 2003. Seus principais trabalhos são Maria Minhoca e o rapto das cebolinhas, da Cia. Máscaras de Teatro, de Sebastião Simão Filho; O cientista, ópera de Eduardo Álvares; Cruzamentos urbanos, mini-série de Pablo Pólo; Um dia azul, clipe da Banda Volver, de Léo Rodrigues; Uma flor, curta- metragem de Érica Rocha e Gilson Jr., Chico Xavier, filme de Daniel Filho; Califa da rua do Sabão, peça de Sidney Cruz, e atualmente realiza apresentações de Lendas e fábulas dos bichos de nossa América, uma contação de histórias. Kika cursa também a Escola de Teatro Martins Pena.
Você nasceu no Recife. A vida das meninas de Sonhos roubados é uma história carioca ou pode ser vista em outros locais do Brasil?
As histórias dessas meninas não se limitam apenas na região dos morros e periferias do Rio, elas estão espalhadas por vários cantos desse Brasil e do mundo. Há algum tempo venho acompanhando um pouco mais de perto essa realidade. Fui a casas de abrigos em Recife que recebem as crianças violentadas sexualmente pelos pais ou mesmo pela exploração sexual. Fui apresentada ao livro As boas mulheres da China que me fez chorar do início ao fim e antes de filmar li Meninas da esquina, de Eliane Trindade, livro que a história do filme se baseia.
Como foi a preparação para viver Sabrina e como foi o convite para viver este personagem?
Foi um desafio dar vida para a Sabrina pois, desde o início dos testes, eu estava vivendo uma construção da Jéssica, mas foi um prazer poder desapegar ao que tinha criado e dar vida a um outro ser, com outra história.Tivemos preparação com a Camila Amado a partir das leituras do roteiro e criação da personagem e sua história. Depois demos corpo e alma para as personagens e cenas junto com Ricardo e Rogério Blat. Ensaiamos com os outros atores, fizemos levantamento das possibilidades das cenas. Fazíamos o filme quase tarde. E nos primeiros dias de filmagem tivemos o Ricardo e o Rogério por perto pra nos dar segurança. Foi essencial viver esse processo, abrir o coração para descobrir e viver a Sabrina.
O que você pode aprender com a história de Sabrina?
A Sabrina é uma sonhadora e quem não é? Ela sonha com uma família e uma casa, coisas que não teve. Sonha com marido e filhos para construir essa família e, por isso, se joga de cabeça na primeira oportunidade, mas sem noção das consequências. É engraçado como temos um pouco dessas personagens e eles têm um pouco da gente. A gente pode aprender o que quiser com as experiências dela, podemos ir longe e ter várias reflexões.
Por quantos testes você precisou passar para ser selecionada e como eles foram?
Eu não sei ao certo quantos testes fiz para filme. No início fiz vários testes para Jéssica até que num certo momento a Sandra me propôs experimentar a Sabrina. Foi um prazer experimentar as duas nos testes. Elas têm uma energia muito diferente uma da outra.
Uma parte dos testes foi com a Mariana Kaufman (assistente de Sandra Werneck) que dirigiu junto com a Maya Da-Rin (cineasta e filha de Sandra Werneck). Tivemos uma conversa também com a Sandra e depois passamos por um processo com a Camila Amado. Ela, junto com a Sandra, definiu o elenco a partir dos encontros que tínhamos em sua casa a partir de muitas leituras, ensaios e bebendo muito mate. Muitas meninas fizeram os testes e as leituras junto com Camila, ia aos poucos, definindo o trio.
O filme tem direção de Sandra Werneck e fotografia de Walter Carvalho, dois dos mais importantes profissionais do cinema nacional. Como foi a experiência com eles no set de filmagem?
A Sandra foi incrível, me deixou bem livre para atuar, deu o direcionamento para o que precisava da cena e fui seguindo. O Waltinho teve uma paciência de Jó. Eu não tinha noção nenhuma de marcas, luz, câmera. Ele me ajudou muito. A equipe toda foi muito parceira.
Sonhos roubados é um filme de esperança ou de realidade?
É um filme de realidade e de esperança. Demos a cara, o corpo e a voz a essas “meninas da esquina” para serem escutadas e vistas no filme da Sandra. Elas sentem faltam de muito mais do que apenas uma roupa e um xampu, como é descrito no livro. Elas estão carentes, elas não são carentes. Estão carentes de um governo e de políticas públicas que pensem em como lidar, como resolver esse problema. Essa é a única esperança, que precisamos mudar essa realidade.
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